Vouvray e Phillipe Foureu 19/10/2011

Retomo o blog ainda com Vale do Loire na cabeça. Mas o motivo é nobre, Phillipe Foureau e seus aclamados vinhos brancos da região de Vouvray na França são recém importados para o Brasil pela Decanter.
Foureau é um produtor à moda antiga, sem site, pouca badalação, mas é respeitado pelos amantes dos Vouvray como o produtor mais cuidadoso e artesanal.



Os Vouvray sempre oriundos da uva chenin blanc podem ser espumantes, secos, meio secos, ou doces. O potencial de guarda desses vinhos é enorme, podem durar mais de 100 anos. Eu tive a sorte de provar um Vouvray do Foureau doce (moulleux) da safra de 1975 no restaurante de Alain Senderens antigo Lucas Carton em Paris. Ao lado dos Sauterness e dos alsacianos meus vinhos de sobremesa favoritos são os produzidos no Vale do Loire.

Degustei a linha completa disponível no Brasil do Foureau.


DOMAINE DU CLOS NAUDIN Vouvray Méthode Traditionelle Brut Réserve 2002 (R$ 189,00)



Um espumante espetacular da uva chenin de vinhas com mais de 38 anos ,colheita manual, pouca intervenção tecnológica, pureza e verdade.
Um Vouvray espumante safrado, o melhor que já provei, o mais complexo. Nariz com maçã verde, amêndoas, na boca é cheio, rico, untuoso. Combina magistralmente com vieiras salteadas na manteiga. Foi exatamente assim que provei, e abriu um terceiro sabor no final de boca (retrogosto) muito interessante.



DOMAINE DU CLOS NAUDIN Vouvray Sec 2007 (R$ 175,00)






Todos os vinhos do Foureau pela excelência e potência podem ser guardados por muitos anos. Esse vinho pode ser bebido hoje a noite com prazer, ou armazenado por anos desenvolvendo característcas únicas dos vinhos brancos com potencial para longa guarda.
Aromas muito ricos de laranja lima, nozes, damasco, mineral, e na boca final gigante, parece o sustain de um orgão Hammond, se não beber água, fica a vida toda o que é sensacional.
Uma recomendação importanantíssima do grande Guilherme Corrêa da Decanter é que esse vinho assim como alguns outros do brancos do Loire não deve ser resfriado. Eu não sabia disso as primeiras vezes que provei esse Vouvray, e realmente o vinho tem estrutura e assunto que o gelo inibe, comprime. Sem resfriar fica mais cremoso, untuoso, textura quase de azeite, uma beleza.
Eu provei com leitão assado que é minha carne favorita, a acidez da chenin blanc combina com perfeição.
Decantado uma hora antes! Sim decantar o vinho branco!


DOMAINE DU CLOS NAUDIN Vouvray Demi-Sec 2009 (R$ 142)






Vinho perfeito para acompanhar pratos asiáticos, pratos com leite de coco. Apesar de ser mais doce, tem acidez um pouco mais elevada que é perfeita para harmonizar com uma gama gigante de pratos.
Por ser bem jovem, no nariz tem algo verde que mesmo sendo de outra uva me lembrou o Silex do Didier Dagueneau, também do Loire, só que com a nota adocicada.
Muita pera, laranja em compota, flores, erva-doce, nariz de vinho importante. Na boca tem o ataque cítrico contrastado com a doçura sutil, que vinho! Vai muito bem com queijo de cabra também.

 

DOMAINE DU CLOS NAUDIN Vouvray Moulleux 2009 (229,00)


 

Quando tenho a oportunidade e a sorte de beber um grande vinho, numa carta bem feita de um restaurante europeu com raridades antigas, e chega o momento do vinho de sobremesa, minha escolha sempre cai para o Vale do Loire. Sair do lugar comum dos Sauterness é sempre bom. Eu adoro Sauterness também é claro.
Cartas e coleções importantes no mundo inteiro provam que os vinhos de sobremesa do Loire são jóias soberbas da uva chenin blanc.
Quando eu penso no fungo botrytis que também atua nos Sauterness e vários vinhos na Alsace eu sempre penso em cinza, carvão, essa é minha primeira lembrança da botrytis.
Em Vouvray ela ganha outro aroma, uma possível flor de perfume intenso e adocicado.
Esse vinho deve ser decantado pelo menos 2 horas antes, pode esperar pela explosão de fruta porque vale cada pequeno gole.
O vinho, quando chega nesse nível de perfeição, eu gosto mesmo é de beber puro acompanhado apenas por um copo de água.


ONDE COMPRAR :

DECANTER : www.decanter.com.br

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 18:59:17
MISTRAL E VALE DO LOIRE 09/06/2010

 

 

A importadora Mistral fundada por uma das pessoas mais importantes no mundo do vinho no Brasil, Ciro Lilla,  sempre foi referência nas escolhas certeiras de seus vinhos. Mas De Daumas Gassac, Chateau Chalon, Chateau Simone, Domaine de Trevallon vários achados de um apaixonado por vinhos. É como nas boas lojas de discos em que o dono é super expert em música, isso sempre traz surpresas interessantes para o nosso repertório.

Provei alguns clássicos do vale do Loire na França do catálogo da Mistral.

 

Savennières “Clos Du Papillon” Domaine Baumard 2004 (US$ 67,90 – R$125,62)

 

 

Domaine Baumard famosos por produzir um super Quarts Du Chaume um vinho de sobremesa de fazer tremer qualquer grande Sauterness também produz secos top.

Savennières é uma região importante  na produção de vinho branco no vale do Loire, a uva permitida é a chenin blanc. Tem uma certa alma da uva Riesling esse Savennières, as cegas eu me confundiria fácil e com prazer porque adoro as duas uvas.

Grande frescor, muita mineralidade, nariz com melão e boca com acidez na medida para pratos de frutos do mar como lagostins grelhados com casca.

   

Pouilly-Fumé “Aquarelle” Pascal Jolivet 2007 (US$ 59,50 - R$ 111,27)

 

 

 

 

Pouilly-Fumé é a região master da uva sauvignon blanc, nesse terreno ela mostra a que veio mesmo.

Pascal Jolivet é um dos grandes produtores jovens na região, ele mistura uvas de solos de Pouilly-Fumé diferentes. O Aquarelle me surpreendeu muito, um vinho nessa faixa de preço com essa complexidade é difícil.

Aromas de grama cortada, kiwi, melã, ultra complexo, boca longa para pratos encorpados. 

 

 

Vouvray Demi-Sec “Le Mont” Domaine Huet 2006  (US$ 107,50 - R$201,03)

 

 

O Domaine Huet produz na região de Vouvray um dos vinhos obrigatórios para o entendimento da uva chenin blanc.

Os Vouvray podem ser secos, meio secos ou doces. O Le Mont é um meio seco, demi-sec, vinhos que podem durar até 50 anos de guarda, muito longevos. Eu conhecia o Le Haut-Lieu um demi-sec mais simples e sensacional do Huet esse tem mais instrumentos na orquestra.

No nariz como é de se esperar de um vinho de Huet, muito assunto, mineral, pureza, fruta importante,lima, nozes. Na boca longo, fim de boca espetacular, untuoso. Eu degustei com aspargos brancos no Les Marais em Sampa e quase chorei.

 

Chinon Varennes Du Grand Clos Charles Joguet 2004 (U$ 78,90 – R$145,97)

 

 

 

Charles Joguet é um dos mitos da região de Chinon, tintos apaixonantes vem dessa região. A uva é a cabernet franc usada no corte dos vinhos de Bordeaux mas em Chinon ela ganha alma de vinho da Borgonha.

Lembra um bom Borgonha e isso para mim é a porta do paraíso! Vinho que pode ser guardado mas já está deliciosamente pronto, taninos finíssimos. Um dos grandes vinhos do mercado brasileiro e que é pouco visto em cartas de vinhos sempre repetitivas.

 

ONDE COMPRAR : 

MISTRAL IMPORTADORA : RUA ROCHA 288 SÃO PAULO

TEL : (11) 3372-3400 

www.mistral.com.br

 

NOTA DE BLOGUSTAÇÃO

 

Fui visitar pela primeira vez o Zena Café dos meus amigos Carlos Bertolazzi e Juscelino Pereira e me deparei com a melhor a massa ao pesto que já comi na vida! É a receita original com um pouquinho de ervilhas e cubinhos de batata, “Zensacional”.

Zena Café

Rua Peixoto Gomide 1901 Jardins São Paulo. www.zenacafe.com.br

 

NOTA DE BLOGUSTAÇÃO 2

 

 

O super mestre Manoel Beato me apresentou um vinho do Loire recentemente que entrou para minha lista dos 10 melhores vinhos brancos. Um vinho de Saumur com a uva chenin blanc o Clos Rougeard Breze 2005 do produtor Foucault. As cegas eu jurava que era um dos crus de Montrachet da Leflaive, mas era um Saumur de 50 dólares! Esse vinho não importado para o Brasil, tomara quem alguém traga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 15:00:27
Antinori e Wine Brands 12/05/2010

 

Aprendi e aprendo muito com minha amiga Roberta Mitsuda, ultra ninja dos vinhos que (priscas eras) tinha uma paciência gigante comigo perguntando coisas pra ela sobre vinho, o prazer que virou uma ótima mania. Roberta hoje é a gerente comercial da Wine Brands uma importadora e distribuidora nova que traz alguns clássicos que andavam sumidos das prateleiras.

Antinori, o todo poderoso produtor de vinhos na Itália e também nos EUA, Chile, tem seus melhores vinhos importados pela Wine Brands. Antinori comprou recentemente a vinícula da família Prunotto no Piemonte, norte da Itália, Barbarescos e Barolos de preços mais possíveis e deliciosos.

Degustei 5 vinhos da Wine Brands todos velhos conhecidos meus que sempre adoro reencontrar.

 

Cervaro Della Sala (R$ 219,00)

 

 

Quando visitei a Itália pela primeira vez em 1996 me lembro que esse vinho foi indicado pelo sommelier do restaurante romano Checcino. Um vinho branco toscano (uvas chardonnay 85 % e greguetto 15%) de cortar com faca e que cor linda, amarelo ouro como diz um amigo “parece que o vinho é colorido e nós estamos em preto e branco” emoção grande.

No nariz tem algo de moderno no melhor sentido, os modernos mais elegantes como o famoso vinho branco norte-americano Kistler que nenhuma importadora traz para o Brasil. Nariz explosivo, muita fruta e na boca longo, retrogosto eterno.

Eu tenho grande curiosidade de beber hoje uma garrafa mais envelhecida desse vinho que sempre mostra potencial a la Borgonha branco para guardar

 

Badia A Passignano Chianti Clássico Riserva 2004 (R$ 165,00)

 

 

O famoso vinho das mesas italianas o Chianti, que quando produzido com cuidado pode impressionar e muito. 100% da uva sangiovese podem transformar uma pizza pedida por telefone numa iguaria dos deuses. Ou as massas de cantina, maravilhas como sapaguetti putanesca, esse pessoal dialoga muito bem com Chianti. Nariz com fruta seca, ameixas, passas, boca com adstringência para pratos importantes em sabor como o putanesca.

 

Guado Al Tasso 2005 (R$ 368,00)

 

 

Conheci esse vinho numa ocasião muito interessante no festival de vinhos de Pedra Azul em Vitória organizado pelo amigo Roberto Serpa. O especialista Danio Braga conduzia uma degustação de vinhos da região de Pomerol em Bordeaux, França. Entre eles o mítico Chateau Petrus.

Danio pegou um vinho fora de Pomerol e serviu as cegas… Eu sou francófilo assumido de carteirinha e confesso que um dos meus vinhos favoritos e de muitas pessoas naquela noite foi o toscano Guado Al Tasso e seu corte de 65% da uva cabernet sauvignon 30% merlot e 5% syrah. Ele concorre com outro grande vinho do Antinori, o Tignanello mas tenho maior afinidade com Guado Al Tasso por ser mais delicado, macio.

No nariz vem couro, café, aromas bordaleses mas a boca leva para elegância, clássicos da culinária italiana agradecem o namoro com Guado Al Tasso.

 

Barolo 2004 (R$ 198,00) e Barbaresco Bric Turot 2004 (R$ 236,00) Prunotto

 

 

 

 

Me lembro de ter bebido vinhos do Prunotto numa fase que não estava muito ligado nos vinhos da Itália. Andei provando muitos Barolos e Barbarescos tops e me impressionei muito com esses dois vinhos do Prunotto principalmente o Barolo pelo preço, que está mais em conta que a maioria.

Um Barolo com todos elementos esperados, a cor atijolada, os aromas de rosas, alcatrão, super elegante na boca, grande vinho.

Barbarescos geralmente são mais macios, se mostram mais cedo, esse foi meu vinho favorito da degustação. O aroma de flores secas com um fruto maduro a la Borgonha que me faz chorar, boca quente e cheia de assunto. Pratos de ave, polenta, esse vinho e ouvindo uma trilha de Bruno Nicolai é fácil pensar que a vida é bela!

 

ONDE COMPRAR :

 

WINE BRANDS : (11) 3016-3465 www.winebrands.com.br

 

 

NOTA DE BLOGUSTAÇÃO

 

Visitei semana passada em SP um novo templo gastronômico no Brasil o Le Marais. Serviço, apresentação, repertório tudo certo, fazia tempo que não comia tão bem. Chef Wagner Resende é ninja! O pato na panela com pure de batatas é o Steely Dan da coisa, perfeição pura.

 

 

Le Marais Bistrot (Rua Jerônimo Da Veiga, 30 Itaim Bibi (11) 3071-2873 e 3071-4635)

 

 

 

Outro restaurante francês ótimo que eu ainda não conhecia é L’Amitié o do meu amigo Yann Corderon. Destaque para a frigideira de cogumelos com ovo pochê e um belo Coq Au Vin.

 

 

L’Amitié (Rua Manoel Guedes 233 Itaim Bibi, SP (11) 30785919)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 10:46:09
GIGONDAS E VACQUEYRAS 19/04/2010

 

 

 

A importadora mineira Premium começou no Brasil especializada em vinhos da Nova Zelândia escolhidos a dedo por Orlando Pinto Rodrigues Jr. e Rodrigo Assunção Fonseca dois enófilos refinados e Rodrigo atua também como chef faz tempo no famoso restaurante francês de BH, o Taste Vin. Em seguida ampliaram o catálago com vinhos de várias partes do mundo e a França tem uma assinatura importante para Premium, o famoso Chateauneuf-du-Pape Clos De Papes, Nicholas Potel na Borgonha, etc.

Provei vinhos de dois produtores excepcionais que eu não conhecia do sul do Rhône, França nas regiões de Vacqueyras e Gigondas. Virei fã de carteirinha do Domaine La Monardiere e Domaine Raspail-Ay dois achados.

 

Gigondas Domaine Raspail-Ay 2006 (R$126.50)

 

 

Não conhecia o produtor e consultei meu livro favorito sobre vinhos do Rhône do inglês Remington Norman o “Rhone Renaissance” que coloca Dominique Ay como um produtor top da região, e um tradicionalista dos vinhos de Gigondas (uvas 80% Grenache 15% syrah e 5% mourvèdre).

Nos meus eternos paralelos com a Borgonha que tenho maior litragem de produtores diferentes compararia aos vinhos de George Roumier ou Dugat Py, austeros, fruta potente verdadeira sem truques um vinho importante de constar numa boa coleção de guarda, vinho como antigamente sem pressa e muita verdade.

É disparado o melhor Gigondas que já provei, fruta densa, em compota, nariz com notas apimentadas e boca quente, cheia como se espera de um Gigondas. Mas aqui tem uma finesse rara na região. Vinho ótimo para beber agora decantado uma hora antes mas uma longa vida de amadurecimento para os que tem espaço e paciência para guardar o vinho. 

 

Gigondas Domaine Raspail-Ay 2005 (R$ 127.50) 

 

Esse com 5 anos de idade já apresenta fruta mais aberta apesar de muito corpo também, notas de aniz, ameixa, pimenta preta, vinho complexo perfeito para um bom assado com batatas e ervas. Vinho fino, para ser degustado com atenção. 

 

Vacqueyras Domaine La Monardière Les 2 Monardes 2007  (R$ 105,00)

 

 

Martine e Christian Vache conduzem esse Domaine recente fundado em 1987 com uma maestria que me arrebatou completamente. A appelacion Vacqueyras é recente, data de 1990. Conheço vinhos de Vacqueyras (uvas 70% grenache de negociantes muito bons que compram uvas, ou possuem pequenos terrenos na região, não me lembro de ter provado algo de um produtor local. Muito impressionado com esse vinho, o mais jovem de todos e deliciosamente pronto, fruta delicada, vinho complexo de aromas e sabores. 

 

Vacqueyras Domaine La Monardière Les 2 Monardes 2006 (R$ 106,50)

 

Um ano mais velho, mas talvez de uma safra mais tânica, um vinho com grande potência de fruta, um pouco mais austero, “fruta soturna”. A riqueza desses Vacqueyras é de chorar para os amantes dos vinhos picantes e achocolatados do sul da França. Uma surpresa e tanto.

 

Vacqueyras Domaine La Monardière Vielles Vignes 2007 (R$ 162,00)

 

 

Vinhas com mais de 60 anos, o vinho de guarda do Domaine La Monardière, uma força impressionante lembra os Cotes Du Rhone Rasteau, de longa guarda vinhos de mastigar, cortar com faca, uma beleza. No nariz o alcaçuz esperado de um vinho com essa estrutura, degustei com uma tortinha de batatas recheada de queijo taleggio com peito de pato grelhado com pimenta preta a velha e boa pimenta do reino.

 

Vacqueyras Domaine La Monardière Vielles Vignes 2005 (R$ 163,50)

 

Emoção grande ao degustar esse, já mostrando mais maciez e delicadeza pela idade, mas um vinho de guarda também, não deixa nada a dever aos monstros sagrados do norte do Rhône como Hermitage e Cote-Rôtie. Esses 4 Vacqueyras são dos vinhos mais interessantes que degustei esse ano, paixão a primeira vista com promessa de namoro firme. Vinho ultra sofisticado para grande gastronomia, caças, batata, sempre a batata! Vinho top gosta mesmo é de batata, a chance de acertar é de 100% tipo Ron Carter no baixo e Herbie Hancock no piano.

 

ONDE COMPRAR

 

PREMIUM WINES

 

RUA PALMIRA, 423 loja 09 - SERRA
30220-110 – BELO HORIZONTE - MG
Telefax (31) 3282-1588

 

www.premiumwines.com.br

 

 

NOTA DE BLOGUSTAÇÃO

 

Falando em Belo Horizonte recebi o super gentil convite da importadora Casa Do Porto para um almoço e  jantar semana passada  na companhia dos meus velhos amigos Eduardo Moraes e Ariel Perez Navarro e o sommelier sueco Andreas Larsson

No almoço vinhos espanhóis sensacionais, de grande finesse entre eles Alzania um vinho sensacional, fino, aromas de frutos secos, azeitona preta, uma beleza de vinho.

Alzania Seleccion Privada 2003 - R$ 360,00

 

Antonino Izquierdo de Ribera Del Duero a famosa região espanhola, é um vinho de se beber de joelhos.

Antonino Izquierdo 2006 (Biodinâmico) - R$ 470,00

 

 

O curioso é que eu nunca fui um entusiasta dos vinhos espanhóis, mas me surpreendi com a elegância desses dois vinhos. É sempre bom rever as coisas, eu faço isso muitas vezes, é sadio e honesto mudar de opinião.

De noite num jantar no O Dádiva foi aberta uma garrafa de um mito do mundo dos vinhos um Montrachet do produtor e consultor Pierre Morey, mas isso eu conto melhor em outro texto.

 

CASA DO PORTO

 

Praia Do Canto- Vitória

 

Aleixo Neto 1204 lj 01 tel (27) 3225-3260

 

Praia Da Costa – Vila Velha

 

Av-Champagnat 107 tel (27) 3329-3519

 

Sion - Belo Horizonte

 

Av.Nossa Senhora Do Carmo, 1650 lj 03 (31) 3286-7077

 

Jardins- São Paulo

 

Alameda Franca 1225 (11) 3061-3003

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 18:33:06
VINHOS DA ADEGA ALENTEJANA 06/04/2010

 

 

Quando comecei a me interessar por vinhos, as primeiras garrafas que propunham uma coisa a mais do que os vinhos chilenos mais comerciais, tão em voga por aqui desde o começo dos anos 90, eram vinhos das famosas regiões Dão e Bairrada. Em seguida veio a paixão mais séria por vinhos, assinando revistas, comprando livros e claro assim  como a maioria idolatrando os vinhos de Bordeaux… Eu tinha uma relação mais estreita com os vinhos portugueses, inclusive no período em que colaborei na Folha de S. Paulo 1997-98 escrevi alguns artigos altamente entusiasmados pelos vinhos de Portugal.

Daí veio a paixão pela Borgonha, e eu fiquei completamente cego pelo brilho da delicadeza desses vinhos ficando 10 anos ou mais debruçado na Borgonha abrindo exceção para o Rhône uma hora ou outra. Eu diria que meu recente re-entusiasmo pelos vinhos italianos me fizeram olhar para Portugal novamente, com a mesma curiosidade e interesse.

As uvas autoctones, as diversas formas de olhar o vinho, Porugal é uma jóia escondida faz tempo. Os ingleses com o faro fino e bom gosto peculiar para tudo na vida sempre trataram com respeito e dignidade os vinhos de Portugal cheios de personalidade e em alguns casos como Paulo Laureano um modernismo muito bem vinho.

 

Quando se fala em vinho português a importadora no Brasil que me vem a cabeça imediatamente é a Adega Alentejana do casal ultra gente fina Manoel e Rosely. Azeites, presunto, biscoitos, eles trazem a nata de Portugal para a mesa brasileira faz tempo. Apesar do nome homenagear ao Alentejo importam vinhos de outras regiões vinícolas de Portugal.

 

Degustei vários vinhos que me empolgaram muito pela verdade, sim a verdade é fundamental no vinho também.

 

 

Couteiro-Mor branco 2008 (R$ 33,60)

 

Ora pois! Mas que covardia brutal um vinho de apenas trinta e poucos reais com essa complexidade! O blend inusitado das uvas arinto, antão vaz, fernão pires, roupeiro e uma uva francesa a famosa chardonnay. Aromas muito sedutores, de melão, laranja lima, nariz com fruta muito generosa e na boca ótima persistência, lembrando vinho branco do Vale do Loire. Vem ganhando da famosa Revista Dos Vinhos em Portugal o prêmio de melhor custo-benefício em vinho branco desde 2002.

 

Montoito branco Casa Dos Sabicos 2008 (49,00)

 

Dona Sábica e seus oito filhos em meados do século XIX realizavam competições familiares de quem faria o melhor vinho nessa propriedade que hoje os bisnetos e trinetos honram com o mesmo cuidado o vinho. É composto por 70% de antão vaz e 30% de arinto. Grande frescor, rico no nariz com muita fruta tropical madura, vinho importante, gastronômico. Foi parceiro amoroso de uma bela açorda de bacalhau, muito coentro que adoro e azeite sem medo.

Paulo Laureano Premium branco 2007 (R$ 48,60) 

Um dos melhores vinhos brancos  portugueses que já bebi, que beleza, perfeição pura! Paulo Laureano é consultor de vários vinhos em Portugal, prefiro imaginá-lo como Guy Accad o grande consultor de vinhos na Borgonha, mas muito lúcido com a qualidade, a importância da conta bancária vem a reboque e não o conceito.

Um blend de 40% da uva antão vaz e 60% de arinto, e um estágio em carvalho francês mas muito bem integrado com  fruta, vinhaço. A densidade me lembrou os vinhos de Nicholas Joly, a mineralidade muito rica. Vinho branco delicioso para beber agora mas também para guarda, um branco austere, untuoso. Me impressionou muito.

 

 

Couteiro-Mor tinto 2007 (R$ 33,80) 

O vinho tinto mais simples do Couteiro-Mor (uvas aragonez, castelão e trincadeira) já tem assunto, a cor que adoro granada e muita fruta madura, ameixa, um melado no finalzinho. Um vinho perfeito para um evento que sempre tenho grande prazer em fazer : Abrir um tinto leve, em seguida um branco de corpo e fechar com um tinto de fruta mais complexa. Perfeito com frios.

 

Paulo Laureano Premium Tinto 2007 (R$ 51,90) 

Paulo Laureano tem alma borguinhone, produz brancos opulentos e austeros e um tinto de super elegância e delicadeza. Tinto com alma de vinho branco e vice-versa. Uma grande surpresa pra mim, eu nunca tinha provado. Vinho delicioso uma gama rica de combinações na mesa

 

 

Couteiro-Mor Reserva Tinto 2005 (R$ 98.00) 

Vinho premiado pela Revista dos Vinhos em 2007 como melhor custo-benefício tinto de Portugal. As uvas allicante boushet, aragones e trincadeira tem grande voz nesse vinho muito rico de nariz e boca. Aromas explosivos de frutas vermelhas escuras como amora e fim de boca longo, vinho para ensopados importantes, de sabor acentuado.

 

 

Vale De Ancho Reserva Tinto 2006 (R$ 270,00) 

Esse vinho me foi apresentado pelo célebre crítico gastronômico português e gourmet refinado Duarte Galvão na ocasião de uma entrevista que ele fez comigo em Lisboa num menu digno de um rei, uma beleza. Nesse dia comi um Coelho e um cordeiro de não se esquecer nunca mais. Esse é o top do Couteiro-Mor.

Elegância a la Pera Manca, vinho de coloração atijolada, não tem cor de super-concentração, aromas profundos de uma riqueza de chorar, difícil de descrever as mudanças no nariz ora amoras, ora aniz, super elegante. Na boca cheio, quase oleoso, denso, vinho de mastigar. Como grande parte dos vinhos hoje já está muito agradável de beber, redondo, mas quem guardar esse vinho 5 anos ou mais vai se deparar com um tesouro. Os vinhos portugueses tops envelhecem muito bem, já tive a oportunidade de provar muita coisa dos anos 50 e 60 de lá, vinhos mais simples até que viraram jóias, imagina esse. Vale lembrar que o Couteiro-Mor tem uma bela pousada no Alentejo que custa apenas 30 Euros a diária com café da manhã e a oportunidade de degustar safras variadas desse vinho.

 

ONDE COMPRAR : 

ADEGA ALENTEJANA 

TEL : (11) 5044-5760  FAX :  (11) 5531-1595 

www.adegaalentejana.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 16:05:10
RARIDADES DA FRANÇA 24/03/2010

 

 

Por conta da veia de colecionador de discos, filmes, HQs, tenho uma simpatia especial pelo que é raro, obscuro. Claro que transportei meu olhar colecionista para os vinhos e na realidade pra tudo dessa vida.

A importadora Le Tire-Bouchon, fundada pelo especialista em vinhos Jean Raquin, francês radicado a 10 anos no Brasil como presidente da Helibras, fabricantes de helicópteros que hoje exerce sua experiência em achados do mundo do vinho.

A idéia central de Jean são vinhos de regiões menos conhecidas do grande público mesmo na França que  muitas vezes se repete no Sancerre (delicioso é claro) de sempre.

A concepção me lembra muito a do sommelier Philippe Faure-Blac e seu restaurante Bistrot Du Sommelier, e do mestre Alain Senderens o chef que realiza as harmonizações mais inteligentes e inusitadas de comida e vinho.

Da Le Tire-Bouchon escolhi 3 vinhos da região do  Savoie, 1 do Jura e 2 da Corsega.

 

SAVOIE

 

 

Apremont Les Rocailles 2008 aoc vin de savoie apremont Pierre Boniface (R$ 53,00)

 

Na região do Savoie nos alpes franceses área de um dos queijos que mais adoro. o Reblochon, é produzido esse delicioso vinho branco de preço ótimo para a qualidade e raridade. A uva é a jacquère, autóctone e pelo que me parece só é plantada no Savoie mesmo. Vinho sem Madeira, nariz generoso pela comunhão ultra equilibrada de mineralidade com uma fruta muito rica. Considerado o melhor vinho para um fondue de queijo, mas adorei com um ensopado de lulas “en su tinta” e ervilhas, a vida é bela!

 

 

Roussette de Savoie 2007 aoc roussete de savoie Domaine Eugène Carrel (R$ 65,00)

 

 

Uma “appelaccion” exclusiva de vinhos brancos “Roussette De Savoie” uma sinfonia de aromas composta apenas pela uva jongieux, vinho branco quase “mastigável”. Colheita manual, vinho de grande cuidado e minúcia conduzido por um dos melhores vinicultures do Savoie a família de Eugène Carrell. Aromas muito ricos, lembram as frutas espetaculares do nordeste do Brasil e ainda algo amendoado, nozes. Vinho branco com estrutura de fruta para pratos de aves. O ideal é não deixar gelar demais esse vinho, vinhos brancos importantes (Champagne incluído) se estiverem muito gelados perdem suas características mais especias.

 

 

 

Jongieux Mondeuse 2007 - aoc vin de savoie mondeuse cru jongieux Domaine Eugène Carrel (R$ 72,00)

 

 

 Mais uma jóia de  Eugène Carrell, um tinto da uva mondeuse, delicado, floral, vinho com o teor alcoólico de antigamente 12,5%. Ou seja pode-se beber um pouco mais, o que é felicidade imediata, eternos amigos!

 

JURA

 

 

Domanie Baud Chardonnay 2005 - aoc côtes du jura (R$ 78,00)

 

 

Esse vinho eu já havia escrito na coluna que fazia para Veja Online (http://tinyurl.com/y8t87as) e sempre figurou como um dos vinhos brancos mais interessantes e instigantes do mercado. Vinho branco que é beneficiado ao se passar para o decanter e esperar 30 min. Vem um turbilhão de nozes, amendôas, avelãs. Na boca é infinito, pode ser guardado por 10 anos ou mais anos, vinho branco de guarda tamanha untuosidade e potência. Perfeito para uma sopa de frutos do mar que no restaurante Satyricon no Rio é preparada com maestria.

 

CÓRSEGA

 

 

Domaine Leccia blanc 2006 - aoc patrimonio (R$ 145,00)

 

Da famosa ilha francesa vizinha da Itália é produzido ao norte na micro-região Patrimônio um vinho branco francês de alma bastante italiana. A uva é a vermentinu (para os franceses) ou vermentino (para os italianos) e o Domaine Leccia é figura sempre presente nos guias de vinhos bio-dinâmicos, vinhos que respeitam a terra, os astros e o espírito.

Vinho sem madeira, fermentado por 8 meses em barril de inox, fruta muito rica, vinho ultra fino, no nariz-boca, melão, muito melão notas de tília, um frescor perfeito para um carpaccio de peixe ou tartar temperado com ervas, flor de sal e azeite.

 

 


Domaine Giudicelli Muscat du Cap Corse 2006 - AOC Muscat du Cap Corse (R$ 150,00)

 

Mais um vinho da série “se eu tivesse um restaurante colocava para serviço em taça”, um vinho de sobremesa que é ao lado do Muscat Du Beaumes De Venice a melhor combinação para o famoso “crème brulée” que em Portugal também é feito magistralmente com o nome “leite crème”. O Domaine Giudicelli só produz esse vinho em anos excepcionais.

 

 

ONDE COMPRAR :

 

Le Tire-Bouchon

 

Rua Barão De Tatuí 285 – Sta. Cecília

Tel (11) 3822-0515

 

http://www.letirebouchon.com.br/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 09:15:54
BAROLO BAROLO BAROLO!!!! 12/03/2010

 

Na minha recente e tórrida paixão por vinhos italianos, a região do Piemonte é a “Borgonha” da coisa. Vinhos de grande complexidade e delicadeza, um cachorro São Bernardo grandão mas muito manso, gentil.

Lamberto Percussi grande enófilo e proprietário do restaurante Vinheria Percussi com sua irmã Silvia, numa das sempre ótimas visitas ao restaurante me apresentou um Barolo do produtor Elio Grasso. Fiquei encantado com o vinho, acabei com o estoque do Lamberto, e isso é uma tarefa fácil com o melhor ragu de pato que conheço elaborado pela chef Silvia Percussi.

Quem importa para o Brasil os vinhos do Elio Grasso é a Interfood, muito importante também na área de alimentos. Azeites, massas, e bebidas variadas.

 

 

O também enófilo Bruno Airagui da Interfood Classics me aconselhou alguns rótulos de Elio Grasso para comentar aqui no BLOGUSTAÇÃO.

 

 

 

Dolcetto D’Alba “Dei Grassi”  2008  (R$89.69)

Tenho grande relação emocional com os vinhos da uva dolcetto, claro Dolcetto de Alba na Itália, nada de gracinhas em outras plagas.

João de Souza hoje um dos proprietários do restaurante italo-carioca Terzetto (o favorito do gênio Niemeyer!) no começo dos anos 90 quando era sommelier do Enotria me apresentou a 1ª garrafa de Dolcetto, nunca me esqueço.

Apesar do nome não é um vinho doce, nem demasiadamente seco, vinho com muita fruta, deve ser bebido jovem. Elio Grasso não passa por Madeira esse vinho afim de manter a sutileza da fruta, o frescor. Um vinho sempre feliz, tem gosto de celebração em família. Tem uma gama vasta de combinação com a culináraria italiana.

 

Langhe Nebbiolo Gavarini 2008 (R$104.81)

Uma oportunidade incrível de se ter contato com a nobre uva nebbiolo. Algo mais frutado, amoras, e uma nota de rosas característica dessa cepa. Eu degustei com uma bela pizza de beringela e abobrinhas que é aí que o vinho italiano entra dando show, a nebbiolo é uma show-woman com a delicadeza e graça do canto da Blossom Dearie.

 

 

Barbera D’Alba Vigna Martina 2006 (R$ 196.50)

Uma uva importante no Piemonte, a Barbera que gera vinhos tanto mais simples do dia dia como alguns mais importantes, de guarda. Nos anos 80 houve um boom de modernidade da barbera por produtures como Giacomo Bologna e Luigi Coppo.

Esse barbera é da forma que mais gosto, tradicional, sem maneirismos. Quando decantei meus olhos adoraram o violáceo exuberante, cor linda. Nariz com notas de chocolate, fava de baunilha, passas. Na boca tem quase uma oleosidade, cremosa, vinho para beber hoje mas também beneficiado por quem guarda para apreciar a evolução.

 

Barolo Gavarini Vigna Chiniera 2005 (R$400.03)

Essa é minha mania mesmo hoje: Barolo. Os Barolos hoje na minha preferência ficaram lado a lado com os Chambertin, Bonnes Mares, Clos De La Roche, tudo que adoro nessa vida.

Barolo é uma cidade no Piemonte, região famosa também pelas caríssimas trufas brancas, o santo graal do mundo gourmet.

Todos os Barolos provém da uva nebbiolo,100% geniosa com a natureza, temperamental, assim como a pinot noir na Borgonha. Mas o caldo que sai dessa dificuldade geram os melhores e mais autênticos vinhos do mundo.

Decantei duas horas antes, o nariz que se espera de um grande Barolo, rosas, rosas seccas, “liquorice”, passas. Aroma sempre com muito assunto os bons Barolos.

Andou de mão dada com uma polenta com fungui e pimenta preta em grãos. O Barolo passa por cima como um Concorde, elegância pura.

 

Barolo Ginestra Casa Maté 2003 (R$400.03)

 Outro “cru” de Barolo produzido pela família Grasso que está deliciosamente pronto. É um grande vinho para se beber agora. A cor atijolada, mais clara, que eu adoro, sempre vejo paralelo com os vinhos da Borgonha. E o nariz… Wow o nariz! Mudando a cada minuto, muitas vozes, orquestração Raveliana. As rosas, sempre as rosas da nebbiolo, frutas secas, um balsâmico, que beleza.

O vinho quando está nesse estágio, o que gosto mesmo é somente pão, azeite e sal. Perfeito!

 

ONDE COMPRAR

Interfood Classics

Tel : (11) 2602 7266 Fax : (11) 2602 7280

ww.interfood.com.br

 

 

Escrito por Ed Motta às 17:33:58
Jean-Luc Colombo mago do Rhône 02/03/2010

 

 

 

Desde 1997 acompanho o crescimento da importadora de vinhos Decanter, com sede na bela Blumenau e representantes em todo Brasil.
Sr. Adolar Hermann e seu filho Edson fora a coincidência do sobrenome com o grande compositor do cinema Bernard Hermann, são cuidadosos e detalhistas nas escolhas dos vinhos que representam assim como o mestre das trilhas dos filmes de Hitchcock.
Ao lado deles uma figura de extrema importância para meio do vinho no Brasil, o sommelier premiadíssimo Guilherme Corrêa, finalista da prova de melhor sommelier das Américas em 2009 e premiado pela ABS em 2006 e 2009.

 

Guilherme Corrêa


Do rico catálogo da Decanter uma das minhas grandes paixões são os vinhos do revolucionário Jean-Luc Colombo, um ícone da região do Rhône, sul da França.

 

Jean-Luc Colombo


Colombo é um modernista mas absolutamente lúcido no que se diz respeito a produzir o sublime, o melhor. Num dos melhores livros sobre vinhos do Rhône do inglês Remington Norman “Rhone Renaissance” Colombo me surpreende com uma atitude bastante rara na feroz competitividade do mundo dos vinhos. Ele fala de suas referências, suas influências aonde quer chegar com seus vinhos, e cita Guigal, Chave e Jaboulet como gurus estéticos de seu modernismo que reverencia o passado com maestria.
 
Degustei 4 vinhos soberbos do Jean Luc Colombo um deles o mítico Cornas Les Ruchets.


 
 
CROZES-HERMITAGE LES GRAVIÈRES 2007 (R$ 95.00)
 
Quando começei a me interessar realmente por vinhos em meados de 90, implicava muito com a uva chardonnay por ser a mais difundida, geralmente dou preferência ao obscuro, ao menos óbvio em tudo na vida. Claro que com o passar do tempo tive a sorte de provar os grandes borgonhas brancos feitos com a chardonnay.
Os brancos da região do Rhône sempre me apaixonaram, e um dos favoritos são os Crozes-Hermitage e Hermitage brancos.
70% da uva marsane e 30% da roussane compôem esse belíssimo vinho branco. Aromas ultra sedutores de frutas tropicais. Sempre que bebo um Crozes Hermitage branco me lembro do Jardim Botânico aqui no Rio nesse período de verão, com os frutos sendo quase cozidos pelo calor e exalando aquela sinfonia de aromas, um vinho que me emociona demais. Na boca parece um Hermitage branco geralmente mais untuosos, um final de boca amendoado, longo, uma beleza. Pratos do mar, um “aspic” de legumes. O prato deve respeitar a delicadesa desse vinho. Sabor de 300 mas custa 95, deep!


 
HERMITAGE LE ROUET 2005 (R$ 379,00)
 
O nome já é uma maravilha, os Hermitage foram os primeiros grandes vinhos que degustei, o primeiro beijo. Num clima sujeito a invernos rigosos e verões intensos, Hermitage é dos mais importantes pedaços de terra na história do vinho. Jean-Luc Colombo faz um blend curioso e raro na região: a uva syrah preponderante em todos os Hermitage e apenas 3% de marsanne a uva usada na versão branca do Hermitage. Eu sabia disso em Côte Rotie mas é o primeiro Hermitage que bebo com esse corte. Um nariz que tem assunto para muitas horas, chocolate, pimenta, amoras em compota, dá vontade de morder o aroma de tão denso e presente. A boca é quente, cheia, como costumo brincar quando bebo um grande vinho, levanto a taça e digo apenas: Vinho! Isso é um vinho. Não estou comendo carne vermelha mas não posso fingir que o que fica lindo mesmo com esse vinho é desde carnes ensopadas até um simples filé grelhado. Com muita manteiga claro, rsrs.

 


 
 
Côte-Rôtie La Divine 2006 (R$ 379,00)
 
 Um vinho idolatrado pelos amantes dos vinhos do Rhône da uva syrah. A syrah tem sido vinificada no mundo todo, grande parte dos resultados são artificiais, estamos no berço dessa uva no norte do Rhône. É tradicional misturar as uvas syrah e viognier (do vinho Condrieu outra jóia do Rhône) para o blend dos Cotê Rotie, mais femininos, delicados, vegetais. A cor e a textura do vinho sem filtragem é das minhas sensações favoritas num vinho. Tem-se impressão que é possivel morder, mastigar o vinho pela densidade de fruta.
Essa densidade não é a de um Malbec super extraído parecendo uma tinta sujando os dentes, é a densidade anciene dos Côte Rôtie. O nariz é sempre mais verde, delicado, azeitonas verdes. Está deliciosamente pronto apesar de jovem, para quem gosta-pode guardar assim como o Hermitage por uns 10 anos ou mais. Eu gosto de beber vinhos em vários estágios, vinhos jovens, vinhos maduros, vinhos quase mortos, oxidados mas bem guardados. Só beber vinho envelhecido é sem graça pra mim ainda porque eles se “afunilam” e muitas vezes as características mais vibrantes se perdem.

 


 
 
Cornas Les Ruchets 2004 (R$ 478,00)
 
Ao lado de Auguste Clape, Jean Luc Colombo é reconhecidamente o melhor produtor de Cornas, o vinho de uva syrah mais longevo do planeta. Numa das mais antigas regiões de vinho na França com referências históricas de mais de 2000 anos, Cornas é um símbolo de um vinho ultra concentrado de forma natural e não o que se faz no novo mundo com vinhos “maquiados” de todas as formas.
Na década de 80 Jean-Colombo teve a mesma importância para Cornas como a de Guigal nos Cote-Rôtie, ambos valorizam a agricultura orgânica de forma única num estilo imitado por muitos
O super sommelier Guilherme Corrêa descreve: “Aqui a vegetação começa a mudar para mediterrânea (cheia de tomilho, segurelha, alecrim, zimbro, etc), acho que Cornas é o ponto de inflexão da França continental com a França mediterrânea”.

 

Vinho de alta complexidade, deve ser decantado uma hora antes. A versão mais densa da uva syrah está no Cornas, nariz explosivo com notas de alcatrão, cassis, cedro, e um tostadinho ótimo. Na boca um grande vinho sempre me dá quase vontade de chorar, eu já chorei milhares de vezes com vinhos e pratos executados com perfeição, parece a orquestra de Stan Kenton na fase de Bill Russo.

Um vinho gastronômico, os grandes pratos poder se transformar em sublimes jóias gustativas ao lado desse presente supremo da natureza.

 

 

VINHO DE SOBREMESA EXCEPCIONAL

 

 

Chateau Ramon Castaing Et Fills Montbazillac 2006 (R$ 92.50)

 

No sudoeste francês, região das trufas pretas, do cassoulet, a pequena comuna Monbazillac produz um dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Os Montbazillac tem quase o mesmo processo de um Sauterness, são atacados pelo fungo “botrytis cinerea” que deixa as uvas doces. Quando tive a grande honra de fazer a carta de vinhos do Hotel Emiliano em São Paulo esse era o vinho de sobremesa em taça.

Por esse preço e tipicidade esse vinho deveria ser colocado nos restaurantes no lugar dos late harvest sulamericanos na sua maioria sem riqueza de fruta e aromas.

 

ONDE COMPRAR :

 

DECANTER

 

Av. Brasil 630 – Ponta Aguda – Blumenau Santa Catarina

Tel = (47) 3326-0111

Email = decanter@decanter.com.br

WWW.DECANTER.COM.BR


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 22:31:46
SURPRESAS GUSTATIVAS DA ITÁLIA 19/02/2010

 

Em meus artigos para Folha e Veja online nunca escondi minha explícita preferência por vinhos franceses mas a Itália tem conquistado cada vez mais meu interesse por sua rica variedade de uvas e estilos.

Quando se fala em vinhos italianos o “first call” é para Amaury De Faria, gourmet refinado, faro fino e um dos fundadores da ABS em São Paulo. Amauri conduz sua importadora Cellar com grande eloquência de escolha e considerado no meio do vinho um dos importadores que aplica o melhor preço no Brasil, que em alguns casos  podem chegar a 100% acima do valor de origem.

Seguindo a idéia dos vinhos degustados da De La Croix semana passada, unindo qualidade, autenticidade e bom preço, escolhi 4 vinhos do sul da Itália e 1 do extremo norte da Bota. Uma boa coincidência com o texto anterior, norte e sul.

 

 

 

Ciró Bianco “Greco” Santa Venere DOC 2008 (R$ 40,00)

 

Um clássico da região da Calábria, o Ciró em sua versão branca com a uva “greco” cultivada sob os conceitos da agricultura bio-dinâmica pela família Scala. Um vinho de grande frescor e acidez perfeita para começar os trabalhos, abrir as papilas de preferência se escoltado por delícias do mar.

 

 

Ciró Rosso Classico Santa Venere DOC 2007 (R$ 40,00)

 

Da uva autóctone “gaglioppo” se faz o Ciró tinto, que tanto pode ser de longa guarda mais alcólico ou mais delicado e frutado como esse. No nariz muita cereja e quando se pôe na boca o vinho clama por uma bela lasagna. Vinho italiano e comida é tipo sax e trompete, goiabada com queijo, duplas inseparáveis! Uma opção de bom preço para ingressar no mundo dos vinhos italianos em grande estilo.

 

 

Lagrein Alto Adige Hofstatter DOC 2007 (R$ 57,00)

 

Da região italo-alemã Alto Adige fronteira com a Áustria, famosa por produzir grandes vinhos brancos, Amauri nos apresenta um tinto delicioso da uva autóctone “lagrein” do produtor Hofstatter que possui também um belo bar de vinhos no local.

Nariz cheio de assunto, ameixas, cogumelos e na boca elegante, fino. Por esse preço é raro um vinho desse nível.

 

 

Rosso Isola Dei Nuragui “Essentija” Pala IGT 2006 (R$ 70,00)

 

Esse vinho é a sintese do que tenho buscado nos vinhos italianos, que beleza! Produzido pela família Pala na Sardenha com 100% da uva “bovalle” é um típico tinto italiano com aromas de flores e frutos secos, terra e ótima persistência na boca, um vinhaço.

Pode ser bebido agora decantado uma hora antes ou guardado por mais uns 5 anos.

 

 

Primitivo Di Manduria Vinosia DOC 2007 (R$ 85,00)

 

A uva “primitivo” é segundo a literatura do vinho a origem da famosa uva húngara “zinfandel” que nos EUA tem grande produção. Nunca bebi um “zinfandel” do Tio Sam que me empolgasse no entanto a versão original italiana “primitivo” é sempre fruto de ótimas surpresas.

Fiquei muito impressionado com a qualidade de fruta desse vinho produzido pelos irmãos Ercolino. A viscosidade do vinho me lembrou os grandes Cote-Rotie do Guigal, vinho para cortar com faca, mastigáveis mas deliciosos, balanceados, sem a grosseria de fruta dos vinhos hiper-concentrados tão na moda hoje.

Já está ótimo para beber, decantado uma hora antes, mas é um vinho digno de se comprar de caixa para beber amadurecido, ou beber mais e mais dessa delícia. Eu fico com a 2ª opção! 

 

ONDE COMPRAR :

 

Cellar

tel (11) 5531-2419 fax (11)5531-0794

cellaraf@link.com.br  www.cellar-af.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 16:28:32
Vinhos franceses precisam custar caro? 06/02/2010

Será que todo bom vinho francês precisa custar uma exorbitância? É possivel beber um vinho em que a qualidade para a saúde seja relevante? No mundo dos vinhos bio-dinâmicos (http://tinyurl.com/ydnhm4p) e naturais a qualidade aliada a um bom preço é quase uma militância para os produtores e negociantes desse gênero.

É claro que existem vinhos bio-dinâmicos caríssimos, como o célebre Romanée Conti na região da Borgonha na França, que realmente vale quanto pesa, é um nectar sagrado e consagradado por muitos amantes do vinho inclusive os produtores locais concorrentes.

 

 

Os vinhos bio-dinâmicos demonstram uma face exotérica, espiritual e porque não psicodélica da vinicultura. São vinhos que desde o momento do plantio até o engarrafamento não têm contatos com pesticidas, conservantes, uma série de remedinhos que muitos vinhos bons até são entupidos.

A febre do vinho no Brasil é tanta nos últimos anos que foi possível o surgimento de uma importadora que traz exclusivamente vinhos bio-dinâmicos de várias regiões da França a De La Croix.

 

Escolhi 3 tintos do sul da França e um branco do norte francês fronteira com a Alemanha.

 

Trilogie - Domaine Lefebvre d'Anselme – Côtes Du Rhône 2005 (R$ 69,00)

 

 

Com 70% de uvas Grenache e 30% de Syrah, esse Côtes Du Rhône encanta por mostrar uma delicadeza que não é típica dos vinhos do sul da França, geralmente mais encorpados e opulentos. Parece um vinho da Borgonha na alma mas os aromas com notas de caça e especiarias típico da Grenache enaltecem o terroir particular da região do Rhône. Um Côte Du Rhône geralmente amadurece mais rápido, esse está deliciosamente caindo do pé de redondo na boca que tem ainda um persistência incrível. Vinho desse preço com essas características é raro.

 

 

 

Mas au Schiste - Domaine Rimbert – Saint Chinian 2006 (R$89,00)

 

 

Um vinho de Saint Chinian uma pequena comuna do Languedoc-Roussilon, sul da França, aonde o terreno é propício para vinhos exuberantes de fruta e grande concentração aromática. Jean Marie Rimbert é um dos melhores produtores da região e considerado o grande artista da uva Carignan.

 

O nome de um vinho muitas vezes vem de uma origem curiosa como o Mas Au Chiste, que Rimbert batizou por conta da dificuldade em produzir uma Carignan de alto nível no solo xistoso de sua propriedade. Com ironia ele se denomina um masoquista, “masauchiste”, “masochiste”. O rótulo tem um coelho porque os espertinhos comiam todas as uvas do vinhedo.

 

O corte é com 40% de uvas Carignan, 30% de Syrah e 30% de Grenache. Esse é um vinho de alta complexidade no nariz, uma sinfonia de aromas, muita azeitona preta, chocolate, pimenta preta, ameixas. Na boca já está pronto taninos muito macios mas é vinho também para quem deseja guardar e observar as mudanças naturais do vinho. Uma boa porta de entrada no velho mundo para os que apreciam vinhos de alta concentração de fruta só que nesse caso a elegância e tipicidade tomam conta.

 

 

 

Chateau de Beaulieu – Côtes Du Marmandais 2000 (R$ 97,00)

 

 

No sudoeste da França o casal Robert e Agnès Schulte além de sorte de morar num pequeno paraíso no vilarejo Saint-Saveur De Meilhan, produzem um vinho de características muito singulares.

 

 

O blend de uvas já é inusitado 25% Merlot 25% Cabernet Franc 20% Cabernet Sauvignon 15% Syrah 13% Malbec e 2% Arbouriou. Dos tintos degustados esse é o que se beneficia realmente da decantação, vão se abrir aromas mais profundos. No nariz é austero muito couro, amoras, cassis e caça. Na boca tem força ideal para pratos como um bom Cassoulet a Feijoada da França. 

 

Domaine Bott-Geyl Riesling Les Elements 2007 (R$86,00)

 

 

O solo que produz esse vinho é o mesmo desde 1725! A família de Jean-Christophe Bott tem excelência priscas eras na região da Alsace norte da França. Ao lado da Alemanha e da Áustria essa é a grande região da uva Riesling que produz vinhos brancos que apesar de frescos são muito longevos, vinhos brancos que podem ser também guardados por anos e anos.

Esse Riesling de um pequeno pedaço de terra denominado “Les Elements” tem as uvas catadas a mão e a fermentação natural com apenas leveduras nativas. Alto preciosismo!

No nariz a mineralidade típica da Riesling com peras, pêssego e boca com final longo e uma lichia dando tchauzinho lá no final do túnel.

Para os amantes do sushi esse é o vinho ideal, a uva Riesling é das poucas que harmonizam com o shoyu.

 

 

 

 

Onde Comprar:

De La Croix Importation (011) 3034-6214 (www.delacroixvinhos.com.br)

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 21:51:15
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