Jean-Luc Colombo mago do Rhône 02/03/2010

 

 

 

Desde 1997 acompanho o crescimento da importadora de vinhos Decanter, com sede na bela Blumenau e representantes em todo Brasil.
Sr. Adolar Hermann e seu filho Edson fora a coincidência do sobrenome com o grande compositor do cinema Bernard Hermann, são cuidadosos e detalhistas nas escolhas dos vinhos que representam assim como o mestre das trilhas dos filmes de Hitchcock.
Ao lado deles uma figura de extrema importância para meio do vinho no Brasil, o sommelier premiadíssimo Guilherme Corrêa, finalista da prova de melhor sommelier das Américas em 2009 e premiado pela ABS em 2006 e 2009.

 

Guilherme Corrêa


Do rico catálogo da Decanter uma das minhas grandes paixões são os vinhos do revolucionário Jean-Luc Colombo, um ícone da região do Rhône, sul da França.

 

Jean-Luc Colombo


Colombo é um modernista mas absolutamente lúcido no que se diz respeito a produzir o sublime, o melhor. Num dos melhores livros sobre vinhos do Rhône do inglês Remington Norman “Rhone Renaissance” Colombo me surpreende com uma atitude bastante rara na feroz competitividade do mundo dos vinhos. Ele fala de suas referências, suas influências aonde quer chegar com seus vinhos, e cita Guigal, Chave e Jaboulet como gurus estéticos de seu modernismo que reverencia o passado com maestria.
 
Degustei 4 vinhos soberbos do Jean Luc Colombo um deles o mítico Cornas Les Ruchets.


 
 
CROZES-HERMITAGE LES GRAVIÈRES 2007 (R$ 95.00)
 
Quando começei a me interessar realmente por vinhos em meados de 90, implicava muito com a uva chardonnay por ser a mais difundida, geralmente dou preferência ao obscuro, ao menos óbvio em tudo na vida. Claro que com o passar do tempo tive a sorte de provar os grandes borgonhas brancos feitos com a chardonnay.
Os brancos da região do Rhône sempre me apaixonaram, e um dos favoritos são os Crozes-Hermitage e Hermitage brancos.
70% da uva marsane e 30% da roussane compôem esse belíssimo vinho branco. Aromas ultra sedutores de frutas tropicais. Sempre que bebo um Crozes Hermitage branco me lembro do Jardim Botânico aqui no Rio nesse período de verão, com os frutos sendo quase cozidos pelo calor e exalando aquela sinfonia de aromas, um vinho que me emociona demais. Na boca parece um Hermitage branco geralmente mais untuosos, um final de boca amendoado, longo, uma beleza. Pratos do mar, um “aspic” de legumes. O prato deve respeitar a delicadesa desse vinho. Sabor de 300 mas custa 95, deep!


 
HERMITAGE LE ROUET 2005 (R$ 379,00)
 
O nome já é uma maravilha, os Hermitage foram os primeiros grandes vinhos que degustei, o primeiro beijo. Num clima sujeito a invernos rigosos e verões intensos, Hermitage é dos mais importantes pedaços de terra na história do vinho. Jean-Luc Colombo faz um blend curioso e raro na região: a uva syrah preponderante em todos os Hermitage e apenas 3% de marsanne a uva usada na versão branca do Hermitage. Eu sabia disso em Côte Rotie mas é o primeiro Hermitage que bebo com esse corte. Um nariz que tem assunto para muitas horas, chocolate, pimenta, amoras em compota, dá vontade de morder o aroma de tão denso e presente. A boca é quente, cheia, como costumo brincar quando bebo um grande vinho, levanto a taça e digo apenas: Vinho! Isso é um vinho. Não estou comendo carne vermelha mas não posso fingir que o que fica lindo mesmo com esse vinho é desde carnes ensopadas até um simples filé grelhado. Com muita manteiga claro, rsrs.

 


 
 
Côte-Rôtie La Divine 2006 (R$ 379,00)
 
 Um vinho idolatrado pelos amantes dos vinhos do Rhône da uva syrah. A syrah tem sido vinificada no mundo todo, grande parte dos resultados são artificiais, estamos no berço dessa uva no norte do Rhône. É tradicional misturar as uvas syrah e viognier (do vinho Condrieu outra jóia do Rhône) para o blend dos Cotê Rotie, mais femininos, delicados, vegetais. A cor e a textura do vinho sem filtragem é das minhas sensações favoritas num vinho. Tem-se impressão que é possivel morder, mastigar o vinho pela densidade de fruta.
Essa densidade não é a de um Malbec super extraído parecendo uma tinta sujando os dentes, é a densidade anciene dos Côte Rôtie. O nariz é sempre mais verde, delicado, azeitonas verdes. Está deliciosamente pronto apesar de jovem, para quem gosta-pode guardar assim como o Hermitage por uns 10 anos ou mais. Eu gosto de beber vinhos em vários estágios, vinhos jovens, vinhos maduros, vinhos quase mortos, oxidados mas bem guardados. Só beber vinho envelhecido é sem graça pra mim ainda porque eles se “afunilam” e muitas vezes as características mais vibrantes se perdem.

 


 
 
Cornas Les Ruchets 2004 (R$ 478,00)
 
Ao lado de Auguste Clape, Jean Luc Colombo é reconhecidamente o melhor produtor de Cornas, o vinho de uva syrah mais longevo do planeta. Numa das mais antigas regiões de vinho na França com referências históricas de mais de 2000 anos, Cornas é um símbolo de um vinho ultra concentrado de forma natural e não o que se faz no novo mundo com vinhos “maquiados” de todas as formas.
Na década de 80 Jean-Colombo teve a mesma importância para Cornas como a de Guigal nos Cote-Rôtie, ambos valorizam a agricultura orgânica de forma única num estilo imitado por muitos
O super sommelier Guilherme Corrêa descreve: “Aqui a vegetação começa a mudar para mediterrânea (cheia de tomilho, segurelha, alecrim, zimbro, etc), acho que Cornas é o ponto de inflexão da França continental com a França mediterrânea”.

 

Vinho de alta complexidade, deve ser decantado uma hora antes. A versão mais densa da uva syrah está no Cornas, nariz explosivo com notas de alcatrão, cassis, cedro, e um tostadinho ótimo. Na boca um grande vinho sempre me dá quase vontade de chorar, eu já chorei milhares de vezes com vinhos e pratos executados com perfeição, parece a orquestra de Stan Kenton na fase de Bill Russo.

Um vinho gastronômico, os grandes pratos poder se transformar em sublimes jóias gustativas ao lado desse presente supremo da natureza.

 

 

VINHO DE SOBREMESA EXCEPCIONAL

 

 

Chateau Ramon Castaing Et Fills Montbazillac 2006 (R$ 92.50)

 

No sudoeste francês, região das trufas pretas, do cassoulet, a pequena comuna Monbazillac produz um dos melhores vinhos de sobremesa do mundo. Os Montbazillac tem quase o mesmo processo de um Sauterness, são atacados pelo fungo “botrytis cinerea” que deixa as uvas doces. Quando tive a grande honra de fazer a carta de vinhos do Hotel Emiliano em São Paulo esse era o vinho de sobremesa em taça.

Por esse preço e tipicidade esse vinho deveria ser colocado nos restaurantes no lugar dos late harvest sulamericanos na sua maioria sem riqueza de fruta e aromas.

 

ONDE COMPRAR :

 

DECANTER

 

Av. Brasil 630 – Ponta Aguda – Blumenau Santa Catarina

Tel = (47) 3326-0111

Email = decanter@decanter.com.br

WWW.DECANTER.COM.BR


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 22:31:46
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