VINHOS DA ADEGA ALENTEJANA 06/04/2010

 

 

Quando comecei a me interessar por vinhos, as primeiras garrafas que propunham uma coisa a mais do que os vinhos chilenos mais comerciais, tão em voga por aqui desde o começo dos anos 90, eram vinhos das famosas regiões Dão e Bairrada. Em seguida veio a paixão mais séria por vinhos, assinando revistas, comprando livros e claro assim  como a maioria idolatrando os vinhos de Bordeaux… Eu tinha uma relação mais estreita com os vinhos portugueses, inclusive no período em que colaborei na Folha de S. Paulo 1997-98 escrevi alguns artigos altamente entusiasmados pelos vinhos de Portugal.

Daí veio a paixão pela Borgonha, e eu fiquei completamente cego pelo brilho da delicadeza desses vinhos ficando 10 anos ou mais debruçado na Borgonha abrindo exceção para o Rhône uma hora ou outra. Eu diria que meu recente re-entusiasmo pelos vinhos italianos me fizeram olhar para Portugal novamente, com a mesma curiosidade e interesse.

As uvas autoctones, as diversas formas de olhar o vinho, Porugal é uma jóia escondida faz tempo. Os ingleses com o faro fino e bom gosto peculiar para tudo na vida sempre trataram com respeito e dignidade os vinhos de Portugal cheios de personalidade e em alguns casos como Paulo Laureano um modernismo muito bem vinho.

 

Quando se fala em vinho português a importadora no Brasil que me vem a cabeça imediatamente é a Adega Alentejana do casal ultra gente fina Manoel e Rosely. Azeites, presunto, biscoitos, eles trazem a nata de Portugal para a mesa brasileira faz tempo. Apesar do nome homenagear ao Alentejo importam vinhos de outras regiões vinícolas de Portugal.

 

Degustei vários vinhos que me empolgaram muito pela verdade, sim a verdade é fundamental no vinho também.

 

 

Couteiro-Mor branco 2008 (R$ 33,60)

 

Ora pois! Mas que covardia brutal um vinho de apenas trinta e poucos reais com essa complexidade! O blend inusitado das uvas arinto, antão vaz, fernão pires, roupeiro e uma uva francesa a famosa chardonnay. Aromas muito sedutores, de melão, laranja lima, nariz com fruta muito generosa e na boca ótima persistência, lembrando vinho branco do Vale do Loire. Vem ganhando da famosa Revista Dos Vinhos em Portugal o prêmio de melhor custo-benefício em vinho branco desde 2002.

 

Montoito branco Casa Dos Sabicos 2008 (49,00)

 

Dona Sábica e seus oito filhos em meados do século XIX realizavam competições familiares de quem faria o melhor vinho nessa propriedade que hoje os bisnetos e trinetos honram com o mesmo cuidado o vinho. É composto por 70% de antão vaz e 30% de arinto. Grande frescor, rico no nariz com muita fruta tropical madura, vinho importante, gastronômico. Foi parceiro amoroso de uma bela açorda de bacalhau, muito coentro que adoro e azeite sem medo.

Paulo Laureano Premium branco 2007 (R$ 48,60) 

Um dos melhores vinhos brancos  portugueses que já bebi, que beleza, perfeição pura! Paulo Laureano é consultor de vários vinhos em Portugal, prefiro imaginá-lo como Guy Accad o grande consultor de vinhos na Borgonha, mas muito lúcido com a qualidade, a importância da conta bancária vem a reboque e não o conceito.

Um blend de 40% da uva antão vaz e 60% de arinto, e um estágio em carvalho francês mas muito bem integrado com  fruta, vinhaço. A densidade me lembrou os vinhos de Nicholas Joly, a mineralidade muito rica. Vinho branco delicioso para beber agora mas também para guarda, um branco austere, untuoso. Me impressionou muito.

 

 

Couteiro-Mor tinto 2007 (R$ 33,80) 

O vinho tinto mais simples do Couteiro-Mor (uvas aragonez, castelão e trincadeira) já tem assunto, a cor que adoro granada e muita fruta madura, ameixa, um melado no finalzinho. Um vinho perfeito para um evento que sempre tenho grande prazer em fazer : Abrir um tinto leve, em seguida um branco de corpo e fechar com um tinto de fruta mais complexa. Perfeito com frios.

 

Paulo Laureano Premium Tinto 2007 (R$ 51,90) 

Paulo Laureano tem alma borguinhone, produz brancos opulentos e austeros e um tinto de super elegância e delicadeza. Tinto com alma de vinho branco e vice-versa. Uma grande surpresa pra mim, eu nunca tinha provado. Vinho delicioso uma gama rica de combinações na mesa

 

 

Couteiro-Mor Reserva Tinto 2005 (R$ 98.00) 

Vinho premiado pela Revista dos Vinhos em 2007 como melhor custo-benefício tinto de Portugal. As uvas allicante boushet, aragones e trincadeira tem grande voz nesse vinho muito rico de nariz e boca. Aromas explosivos de frutas vermelhas escuras como amora e fim de boca longo, vinho para ensopados importantes, de sabor acentuado.

 

 

Vale De Ancho Reserva Tinto 2006 (R$ 270,00) 

Esse vinho me foi apresentado pelo célebre crítico gastronômico português e gourmet refinado Duarte Galvão na ocasião de uma entrevista que ele fez comigo em Lisboa num menu digno de um rei, uma beleza. Nesse dia comi um Coelho e um cordeiro de não se esquecer nunca mais. Esse é o top do Couteiro-Mor.

Elegância a la Pera Manca, vinho de coloração atijolada, não tem cor de super-concentração, aromas profundos de uma riqueza de chorar, difícil de descrever as mudanças no nariz ora amoras, ora aniz, super elegante. Na boca cheio, quase oleoso, denso, vinho de mastigar. Como grande parte dos vinhos hoje já está muito agradável de beber, redondo, mas quem guardar esse vinho 5 anos ou mais vai se deparar com um tesouro. Os vinhos portugueses tops envelhecem muito bem, já tive a oportunidade de provar muita coisa dos anos 50 e 60 de lá, vinhos mais simples até que viraram jóias, imagina esse. Vale lembrar que o Couteiro-Mor tem uma bela pousada no Alentejo que custa apenas 30 Euros a diária com café da manhã e a oportunidade de degustar safras variadas desse vinho.

 

ONDE COMPRAR : 

ADEGA ALENTEJANA 

TEL : (11) 5044-5760  FAX :  (11) 5531-1595 

www.adegaalentejana.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Ed Motta às 16:05:10
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