UVA SYRAH REÚNE OPULÊNCIA E DELICADEZA
São Paulo, sexta, 7 de agosto de 1998

A uva Syrah vive hoje no mercado mundial de vinhos o seu momento mais "in", devido aos preços quase cafonas de um bom Bordeaux. Desde que comecei a me interessar por vinhos, a Syrah tem sido uma das minhas favoritas, principalmente a do Rhône.
Uma coisa que o consumidor brasileiro ainda não descobriu é que os tops dessa região estão no nível dos grandes Bordeaux e Borgonha.
A Syrah une um pouco a opulência da Cabernet com a delicadeza da Pinot Noir. O dia-a-dia agradece se for regado por delícias de preço moderado, como Crozes-Hermitage ao norte do Rhône.
No Brasil, podemos dizer que nesse assunto estamos muito bem servidos por Albert Belle, Chapoutier e Paul Jaboulet-Ainé. Os Crozes-Hermitage tintos, teoricamente, não são para envelhecer -mas, em casos como os hiperconcentrados Domaine de Thalabert (Jaboulet), Cuvée Louis Belle e a revelação Les Varonnièrs (Chapoutier), a espera é bem-vinda.
A safra de 95 foi estupenda, gerando vinhos de coloração impenetrável e taninos para boa guarda, como o Thalabert (bastante cassis no aroma, boca potente e tânica para uma boa costela).
Já o Varonnièrs é um pouco mais delicado - o único na região que adormece 18 meses em madeira 100% nova. Aqui, as habituais notas de chocolate da casta, amoras e final longo fazem esse vinho lembrar um ótimo Hermitage.
O de 94, que ainda pode ser encontrado no mercado, foi considerado pelo famoso crítico norte-americano Robert Parker Jr., editor da revista "The Wine Advocate" (O Advogado do Vinho), o melhor vinho já produzido na região. Mas que nota daremos? Noventa e sete e meio ou 98,95?
O Cuvée Louis Belle já é uma transição dos mais frutados para esses hiperconcentrados. Ele estagia um pouco menos na madeira, mas a concentração de fruta é notável, com uma framboesa doce na boca e aromas lembrando uma possível comunhão de steak, framboesas e defumados.
Da série dos mais frutados e de preço mais em conta, o Les Pierrelles, do mesmo A. Belle, é um dos melhores. No caso do 95, é o aluno que supera o professor.
O Meysonniers do Chapoutier é o acompanhamento perfeito e elegante para uma pizza gigante. É uma beleza, ficam agarradinhos e apaixonados - mas não esqueça, somente a gigante, porque o namoro deve ser longo!
Em suma, os vinhos tintos do Rhône são estas maravilhas que podemos tomar mais vezes, nos deliciando com ótimos aromas e a sensação de que botamos uma inofensiva caixinha de framboesas inteira na boca -sem falar na versatilidade à mesa.