BEBIDA
Oolong, um chá especial que vem da China, da Tailândia e do Vietnã

Plantação de oolong: aromas e sabores complexos
Desde a minha primeira coluna sobre chás aqui na Veja.com, sempre pensei em escrever sobre os deliciosos oolong chineses, tailandeses e vietnamitas. Sempre hesitei por que os melhores que já degustei não estão à venda no Brasil.

O oolong é o processo intermediário de manipulação das folhas da camellia sinensis; fica entre o verde, onde a maioria é sem fermentação, e o preto, que é fermentado, defumado, etc.

Esses chás, também chamados de "black dragon", ou "blue tea", são semifermentados ou oxidados, gerando um dos chás de aromas e sabores mais complexos do planeta. Assim como nos grandes vinhos, a classificação das regiões é rigorosa e os preços variantes.

Oolong: manipulação das folhas da camellia sinensis
Os melhores oolong que bebi foram no restaurante chinês Yauatcha, em Londres, e aqueles comercializados pela empresa americana Generation Tea. Tenho muita curiosidade de provar os chás comercializados pelo site Black Dragon Tea, especializado nos tailandeses. Aliás, a origem da palavra oolong vem de Wu-Long, Wu (preto-black) e Long (dragão-dragon).

Da região de Nantou, na Tailândia, vem um de meus oolong favoritos, o High Mountain. A nota amanteigada presente em vários oolong top aqui aparece de forma explosiva, intensa - parece quase um chá com uma colher de manteiga. Numa comparação com vinhos, os chás brancos seriam Champagne, os verdes, vinhos brancos das uvas riesling, viognier, sauvignon blanc e chenin blanc, os oolong brancos, das uvas chardonnay, marsanne, roussane e grenache blanc e os pretos, seriam como vinhos tintos com muitas variações comparativas. O High Mountain me dá o mesmo prazer de beber que um grande Montrachet, o rei dos vinhos brancos, com a vantagem de ser infinitamente mais barato.

A relação custo benefício é maior num chá deste tipo, mesmo nos oolong mais caros, pois obrigatoriamente deve-se fazer de 3 a 4 infusões. A segunda infusão é a melhor, a bebida fica untuosa, mais manteiga ainda, um chá que dá vontade de mastigar.

Golden Buds: enrolados a mão High Mountain: da Tailândia
Do Vietnã o melhor que provei foram os Golden Buds, enrolados a mão, com aroma e boca que me remetem a cervejas belgas como a Deus ou uma saison, como La Moinette.

Tieguanyin chinês: lembra vinho branco envelhecido
A China é a pátria-mãe do oolong. A região de Anxi, na província de Zheijiang, é de onde vem o Tieguanyin, que divide com os tailandeses High Mountain o posto de melhor e mais complexo oolong. Os Tieguanyin chineses são fermentados um pouco mais do que os High Mountain, lembram um vinho branco envelhecido. Aromas lembrando flores, manteiguinha, que remete, na verdade, a um passeio no Jardim Botânico do Rio de Janeiro no verão com aquele cheiro adocicado de frutos maduros. Na boca, uma suave oxidação bem-vinda, que lembra um vinho branco maduro.

O Tieguanyin tem várias graduações e preços, mas mesmo os mais simples e mais em conta são deliciosos, uma experiência importante no universo gourmet.

São chás perfeitos para acompanhar grandes pratos da culinária oriental. No Yauatcha de Londres bebo chá do início ao fim, até porque a carta de chás é inacreditável.

Para a saúde: a literatura sobre chá mostra que os oolong são os mais emagrecedores (olha eu aí...), além de redutores do colesterol e controladores da pressão, se bebidos três vezes ao dia.

Yauatcha
15 Broadwick Street, Londres
Tel.: 0870 780 8265
Email: mail@yauatcha.com