VINHOS
Domus Aurea e outras jóias do Chile

Fotos Ed Motta

Sete safras de Domus Aurea: duas escolas distintas, a potência chilena e o equilíbrio francês
Os vinhos do Chile são o grande mote comercial das importadoras já faz tempo, mas no meio de milhares de produtos esquecíveis existem algumas vozes de autenticidade e tipicidade.

Quando penso num vinho do Chile que não tem como meta imitar a França, ou tentar agradar o gosto globalizado, me lembro sempre do Domus Aurea, um cabernet sauvignon de característica muito própria. Um vinho que traz uma identidade realmente chilena assim como o puro-sangue Antyal, também um dos melhores do país.

Me lembro de uma degustação inesquecível do grande Saul Galvão em Pedra Azul, no Espírito Santo, sobre vinhos tops do Chile, e nessa ocasião o Domus Aurea chamou muito minha atenção.

Há três anos, eu tive oportunidade de visitar a Clos Quebrada De Macul, onde é produzido o Domus Aurea. Provei muita coisa, entre elas um cabernet franc que nunca foi lançado.

Os anfitriões Ariel Perez, Marcelo e Eduardo
Meu xará Eduardo Moraes, o mestre Jedi dos vinhos Ariel Perez, da importadora Casa do Porto, e o sommelier-chefe do grupo Porcão, Marcelo de Moraes, me convidaram para uma tarde memorável degustando uma vertical de Domus Aurea com uma bela palheta de cordeiro na churrascaria Porcão de Ipanema. Pra quem não sabe, "vertical" é aquela prova onde são abertas várias safras de uma mesmo rótulo.

Foram degustadas sete safras do Domus Aurea, divididas estilisticamente por dois enólogos de escolas distintas, o chileno Ignacio Recabarren (de 1995 até 1999) com os vinhos potentes no eucalipto e na menta e o francês Jean Pascal-Lacaze (entrou em 2001) com influência do equilíbrio dos vinhos da França.

A maneira como Ariel apresentou os vinhos foi como sempre brilhante, e ousado, já que começamos por safras mais velhas, o contrário do usual. Só isso já vale a conversa. O mundo do vinho vive parado como poste, reacionário em todas questões, uma degustação como essa que foge das "regras do prazer" é muito bem-vinda.

Vinhos decantados na adega do Porcão: palheta de cordeiro acompanhou a prova

A PROVA

Domus Aurea 96: envelheceu muito bem, no nariz o famoso mentol dos Domus Aurea está harmonioso, integrado. Boca longa, uma surpresa para mim.

Domus Aurea 97: apesar de ser o mais premiado, me parece o que tem vida mais curta, e isso não é uma crítica, porque o vinho está absolutamente pronto, aberto, com especiarias exóticas e notas medicinais.

Domus Aurea 98: o mais delicado, um coração borguinhone. Um vinho para acompanhar aves.

Domus Aurea 99: no nariz um ferro-sangue que lembra as cervejas marrons belgas (leia coluna). Na boca lembra o 97, pronto.

Domus Aurea 2001: meu favorito, o maior equilíbrio, em magnum deve ser de chorar. Já é um vinho ótimo para beber, mas quem tem paciência de guardar, ganha de presente do tempo uma jóia do Chile. Ao lado do Antyal 97, El Principal 99 e do Matetic Syrah 2003, o melhor vinho do Chile que já bebi.

Domus Aurea 2002: seguindo a maciez do 2001, um grande vinho mas com pouco menos de corpo. No nariz o mineral, salgadinho que eu sempre adoro.

Domus Aurea 2003: esse está bem jovem, mas não muito tânico, e estão cada vez mais equilibrados e elegantes.

LINK

• Domus Aurea
www.domusaurea.cl

ONDE COMPRAR

• Casa do Porto
Belo Horizonte - Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1650, ljs 3 e 20, Sion, (31) 3286-7077
Rio de Janeiro - Rua Marquês de São Vicente, 52, lj 223, Gávea
Vitória - Rua Aleixo Neto 1204, Praia do Canto, (27) 3225-3260
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