BEBIDA
Torrontés, o melhor da Argentina

Torrontés, uva branca autóctone e pouco conhecida: complexa e aromática
Os vinhos argentinos se tornaram grande mania dos brasileiros nos últimos anos, e a maioria do que é consumido vem da produção de vinhos com uvas européias famosas - cabernet sauvignon, merlot, chardonnay. Os mais expressivos da Argentina, para mim, sempre foram os produzidos com a uva branca autóctone torrontés, que por acaso vem a ser realmente o tão perseguido vinho de custo-benefício. Os torrontés são bem mais complexos e originais do que muito vinho sul-americano vendido a peso de ouro, abalizados pelas fatídicas pontuações dos críticos de vinhos yankees. Apesar da origem espanhola, a torrontés até onde sabe é inexistente em solo europeu. Salta, na Argentina, é a região reconhecidamente importante para o torrontés.

Essa uva gera vinhos de paleta aromática riquíssima, lembrando a delicadeza da viognier dos Condrieu, na França. Vinhos altamente gastronômicos harmonizam perfeitamente com a comida e não a balela que escuto muito, que tal vinho precisa de comida, como se fosse um defeito que precisa de um auxílio. Um leque de combinações muito rico, dos frutos do mar que escoltam bem a maioria dos vinhos brancos, queijo de cabra, até a harmonização mais perfeita nesse caso, para mim, que é a culinária oriental. Os vinhos da Alsace são perfeitos com sushi, minha modalidade gastronômica favorita oriental, mas a acidez dos viognier e os perfumados torrontés são uma opção de grande sutileza no diálogo com o shoyo, por exemplo. Ainda no caso do torrontés, o preço é um atrativo especial, fora o prazer de sair do lugar comum, das uvas de sempre. Todo restaurante oriental deveria ter na carta de vinhos uma boa opção de torrontés, esse vinho valoriza a riqueza dessa culinária. Não é um vinho de guarda, deve ser bebido jovem.

Os cinco rótulos provados: bom
custo-benefício, para beber jovem

A PROVA DO ED
Degustei cinco torrontés disponíveis no mercado brasileiro:
• Colomé Torrontés 2006
Vinho produzido onde se encontra a Estância Colomé uma espécie de hotel-paraíso que pretendo visitar um dia. O Colomé aplica o bio-dinamismo e produz um torrontés sem filtragem, que é bastante raro de encontrar na Argentina.
É mais denso, um dos melhores do mercado.
www.bodegacolome.com

• San Pedro de Yacochuya Torronés 2006
Arnaldo Etchart e o controverso "midas" do vinho, Michel Rolland, estão por trás desse vinho colhido a mão com aromas generosos de pêras, flores, e boca de boa acidez. Melhorou no final da degustação, então uma rápida decantação pode ser interessante para liberar um pouco do álcool.
www.yacochuya.com

• Etchart Privado Torrontés 2004
O primeiro que bebi, comprado sem compromisso na Cobal do Humaitá, no Rio de Janeiro, há uns bons anos atrás e que me deixou surpreso. Na verdade era o Cafayate Torrontés, que me parece não é mais importado para o Brasil. Esse é o mais fraquinho deles, tanto nariz como boca

• Susana Balbo Crios Torrontés 2006
O melhor da série Crios de Susana Balbo para o meu gosto é esse torrontés. Melão, frutas tropicais e boca com final mais prolongado.
www.dominiodelplata.com

• Quara Torrontés Reserva 2005
Félix Lavaque produz um torrontés de butique, estagiado em madeira e mais caro. É interessante provar um torrontês que transcende as características típicas da cepa.
Esse pode ser guardado por 2 ou 3 anos mais.

ONDE ENCONTRAR

• Colomé Torrontés 2006
R$ 39,00
• San Pedro de Yacochuya Torronés 2006
R$ 39,00
Importadora: Grand Cru - tel. (11) 3062-6388
www.grandcru.com.br

• Etchart Privado Torrontés 2004
R$ 14,00
Importadora: Pernod-Ricard - tel. (11) 3026-3400
www.pernod-ricard.com.br

• Quara Torrontés Reserva 2005
R$ 60,00
Importadora: WorldWine - tel. (11) 3383-7477
www.worldwine.com.br

• Susana Balbo Crios Torrontés 2006
R$ 37,00
Importadora: Cantu - tel. 0300 210-1010
www.cantu.com.br

RECEITA DO ED
Para acompanhar o torrontés, uma receita mais
do que simples, rápida e de combinação perfeita
Bifum com Algas a la Pela Humburgo
("criação" Domaine Motta)

Bifum com algas, combinação perfeita com torrontés, dica do "chef" Ed Motta
Ingredientes
(para duas pessoas sem fome)
• 250 g de Bifum (de preferência os japoneses mesmo. Bifum, para quem
não sabe, é uma massa alimentícia produzida com grãos de arroz)
• 14 g de alga marinha Wakame
• 5 g de alga marinha Hijiki
• Azeite extra virgem
• Óleo de amendoim (japonês é o melhor)
• 2 colheres de sopa de shoyo

Modo de preparar
Colocar as algas separadas de molho até a água cobrir, e deixar até amolecer. Descartar as partes mais duras da alga Wakame e colocar numa frigideira com azeite por pouco tempo, somente para aquecer, adicionando o shoyo por último. Depois do bifum recém-escorrido, misturar à alga Wakame com dois garfos lentamente. O bifum é difícil de misturar, então paciência é importante. No final, adicionar as algas Hijiki e algumas gotas de óleo de amendoim.