BEBIDA
Duas maravilhas do Rhône: vinhos de chorar


Os vinhos brancos da região do Rhône, sul da França, são pouco comentados e representados nas cartas de vinho no Brasil. Châteauneuf-du-pape tem vinhos brancos fantásticos, mas meus favoritos são os das regiões de Hermitage e Condrieu. Ao lado dos brancos da Alsácia, como o riesling, Condrieu é um vinho que eu adoro com sushi, que é difícil de combinar.

Ao norte do Rhône a uva viognier encontra, na cidade de Condrieu, sua expressão mais autêntica.

São vinhos de grande frescor, muita fruta, leves, perfeitos para o verão. Bom variar daquele sauvignon blanc de toda hora, não é?

Yves Cuilleron: produtor cult
O produtor cult da região de Condrieu, Yves Cuilleron, começou a ser importado para o Brasil ano passado pela Grand Vin, inclusive figura na minha lista de vinhos natalina aqui para coluna.

Descendente de quatro gerações de vinhateiros, Yves não queria seguir a tradição, mas começou a se interessar por degustação de vinhos e nasceu no berço esplêndido de Condrieu. Em 1987 ele começou a comandar a vinícola e a integrar uma geração progressista na região, como os jovens Chapoutier.

Degustei dois vinhos de chorar de Yves Cuilleron disponíveis no mercado brasileiro.

Condrieu: notas minerais e muita delicadeza
Condrieu Les Chaillets, 2004
A uva viognier é colhida a mão, e as melhores parcelas são escolhidas para produção desse vinho. Assim que se abre a garrafa, o aroma doce de pêras já explode sem colocar no copo. No nariz, as pêras ganham notas minerais, jasmim, muita delicadeza. A boca tem retrogosto raro num Condrieu, muita persistência, untuoso, vinho importante. Apesar da delicadeza é um vinho branco de guarda, de 3 a 5 anos, no caso desse 2004.

Para harmonização o clássico seria queijo de cabra, em Condrieu é feito o Rigotte de Condrieu com leite de cabra. Com sushi é mais avant-garde.

Côte-Rôtie: complexo, cheio de especiarias
Côte-Rôtie Terres Sombres 2004
Cuilleron produz três tintos na região de St. Joseph e dois em um dos mais prestigiados vinhedos no Rhône, o Côte-Rôtie. Eu nunca tinha provado um tinto do Yves Cuilleron, adorei o olhar de vinhateiro de vinhos brancos para o apimentado Côte-Rôtie. Guigal que é o grande mestre dos Côte-Rôtie coloca um pouco da uva branca do Condrieu, a viognier, ao lado da milenar uva tinta syrah em seus "crus" especiais. Cuilleron produz com 100% syrah, de vinhas de 40 anos, seus Côte-Rôtie de guarda. Vinho potente, para pratos de carne com molho. Eu gosto com jarret de vitela, o ossobuco francês. No nariz a pimenta preta freqüente em vários Côte Rôtie, azeitona preta, chocolate, complexo, cheio de especiarias. Na boca, longo e equilibrado, taninos macios; quem tem paciência de guardar o vinho de 5 a 10 anos, vai beber ainda melhor. Carnes cozidas lentamente na panela acompanhada de um purê de batata levam lágrimas aos olhos escoltadas por um Côte-Rôtie como esse.

ONDE COMPRAR
• Grand Vin
Rua Barão do Bananal, 1301
CEP 05024-000 São Paulo, SP
Tel: 3672-7133
www.grandvin.com.br

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