RESTAURANTE
Pata de vaca, bolinho sacana e queijo coalho

Chapéu de Couro: gastronomia nordestina bem-cuidada
A rica culinária do Nordeste do Brasil é muitas vezes fonte de inspiração para grandes chefs da nova cozinha como Alex Atala e Roberta Sudbrack. Sempre que faço shows na região aproveito para visitar e conhecer novos ingredientes, frutas, receitas. Conheci um representante da gastronomia nordestina que já existe na cidade do Rio de Janeiro há doze anos, no bairro de Bonsucesso, o Chapéu de Couro. Pereira, o proprietário, é um cearense que passou por tudo na cozinha e hoje comanda com muito cuidado e detalhe esse restaurante. Pereira me lembrou Beto do Paraíso Tropical, em Salvador, uma personna de importância filosófica e espiritual para o restaurante. Não é apenas o dono, é o artista.

Bolinho sacana e de carne seca: de entrada e na saideira
Comecei os trabalhos com um chope que estava novo, fresco, o que é raro muitas vezes, e os bolinhos carros-chefes da casa que são o de carne-seca e o delicioso bolinho sacana, feito com camarão, leite de cabra e requeijão envoltos pela macaxeira, também conhecida como aipim. Na seqüência, acho que o melhor queijo coalho que já comi fora do Nordeste, clarinho, delicado com pouco sal.

Em seguida, fiquei surpreso ao notar a existência de copos de vinhos corretos, o que premia ainda mais o lugar. Junto aos primeiros goles do vinho, uma galinha à cabidela que eu sempre adoro. O molho (o famoso pardo) estava perfeito - e vinho tinto da Borgonha adora aves. Acompanhava, ainda, feijão verde, manteiga de garrafa e uma paçoca de carne-seca de chorar.

Galinha à cabidela: perfeito Pata de vaca: ossobuco nordestino
Mas o grande prato, que me deixou doido, foi a pata de vaca, o ossobuco nordestino cozido com legumes. A carne desfiava no molho reduzido de legumes que em cima do arroz e da pimenta tocavam uma das minhas sinfonias favoritas: carne com molho e arroz.

Carranca: "Na saída, acho que ela piscou pra mim"
O fechamento foi uma picanha curada como carne-de-sol, a macaxeira e a manteiga de garrafa. Nesse prato o sabor da manteiga se pronuncia de forma mais prolongada, uma manteiga infinita que clama pelo próximo gole de vinho. Eu terminei mesmo pedindo mais chope, queijo coalho e a delícia do bolinho sacana. Na saída tive a impressão que a carranca da porta do restaurante deu uma piscadinha de olho pra mim...

SERVIÇO
• Chapéu De Couro
Av. Guilherme Maxwell, 437/A
Bonsucesso - RJ
fones: (21) 3868-4676 / 2290-3474